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Quinta-feira, 20.06.13

Exames para quê?

Para que serve a avaliação? Num sistema educativo a avaliação dos alunos tem diversas intenções e objectivos. Dentro da comunidade dos investigadores em avaliação em educação aquela emerge com três objectivos essenciais e que são, de alguma forma, consensuais: orientação, regulação e certificação (Charles Hadji - A avaliação, Regras do jogo). 

Antes de mais clarifique-se um aspecto essencial: avalia-se para se conhecer. Esta orientação, epistemologicamente falando assente numa perspectiva construtivista, assume, como ponto de partida para a organização do processo pedagógico, o resultado da avaliação. É, partindo das evidências que a avaliação nos proporciona, que se pode reconstruir todo o processo educativo numa sala de aula. É ela que vai permitindo ao docente afinar as estratégias e elaborar os materiais pedagógicos, reorientando assim o aluno na sua aprendizagem. 

Esta reflexão pode e deve ser aprofundada, não apenas por professores e especialistas em ciências da educação mas também pelos cidadãos em geral. Isto é essencial paraque toda a comunidade seja verdadeiramente capaz de compreender o que se vai passando no seio do nosso sistema educativo. 

Para mim e por agora, esta reflexão serve apenas para enquadrar o meu próprio pensamento sobre a existência de exames em momentos precoces do sistema educativo - 4º e 6º  e 9º ano.

Uma criança de 9 ou 11 anos aprende melhor porque vai fazer um exame? Há alguém que tenha estudado, investigado a sério, que sustente que um aluno aprende melhor porque no final do ano irá realizar um exame nacional? Não me parece. Um exame, enquanto instrumento avaliativo, não tem como finalidade melhorar a qualidade da aprendizagem. Nada disso. Serve essencialmente para medir, por referência a uma norma, a quantidade (mais que a qualidade) dos conhecimentos que um aluno tem num determinado momento da sua vida. Será isto o mais importante para estas crianças? Não será mais importante que as avaliações a que são sujeitas sirvam essencialmente para devolver aos professores informações significativas sobre a forma como elas estão a prender e que permitam ir monitorizando o seu percurso educativo? É ou não isto o mais relevante na avaliação de crianças e jovens até ao final do 9º ano? Se sim, então haja alguém que me explique por que razão andamos a desperdiçar milhões de euros na realização de exames nacionais no 4º, 6º e 9º ano. 

É para mim evidente que há uma intenção por trás desta realidade. Não tenho grandes dúvidas que essa intenção é bem perversa. Há muito tempo que perdi a inocência e deixei de acreditar na bondade dos nossos dirigentes políticos e na classe dirigente em geral. 

Admito que em momentos em que é necessário seriar, como forma de, por exemplo, decidir sobre o acesso ou não ao ensino superior, os exames possam ter o seu papel. Nesse caso talvez sejam eles o único instrumento verdadeiramente diferenciador. Agora em estádios mais precoces do ensino básico não me parece que sejam minimamente necessários. São um desperdício de recursos financeiros sem relevância significativa nas melhorias das aprendizagens.

 

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por M Bento às 16:16



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